Baloiçando nas memórias
Vasculhar nas minhas memórias é das coisas que mais gosto de fazer. Infelizmente ao longo dos anos tenho sentido que há certas memórias que se estão a desvanecer. Clinicamente falando eu entendo o porquê. Sentimentalmente falando, odeio e revolta-me que isto aconteça.
A minha solução tem sido dia-a-dia rever, pensar e vasculhar na cave das minhas memórias. Aquelas mais antigas sabem? Aquelas da pura felicidade da infância. Da inocência, dos sonhos irrealistas e das brincadeiras que eram os momentos preferidos do dia.
Quando era miúda, eu e a minha irmã queríamos um baloiço. E éramos muito chatas e persistentes no que tocava a esse assunto. Os nossos alvos eram o nosso pai e o nosso avô. Os engenhocas da família.
Certo dia, vimos o meu avô e o meu pai com um pedaço de madeira, umas cordas e claro que as esperanças sobre o baloiço aumentavam. Um dia, chegámos a casa dos avós e adivinham o que estava no alpendre? Um baloiço, feito pelo meu avô (com ajuda do papá) pendurado no alpendre.Sonho cumprido, duas miúdas felizes. Ir a casa dos meus avós era sinónimo de felicidade, brincadeira o dia todo, comidinha da avó e ensinamentos do avô. Quando o baloiço chegou às nossas vidas, ir a casa dos avós era sinónimo de ainda mais felicidade.
Ao escrever sobre este momento da nossa infância, não consigo não sorrir. Passámos tantas horas naquele baloiço, era até ser noite e a avó ralhar que tínhamos que ir jantar. Passei tantas horas naquele baloiço, muitas vezes a ver o meu avô na bancada das ferramentas a arranjar alguma coisa (era mesmo um engenhocas). Como é que um simples pedaço de madeira e duas cordas, fazem duas crianças as mais felizes do mundo?
Resposta quase impossível, mas resposta tão óbvia. Feito com amor, carinho, por uma pessoa que faz tanta falta a esta família e ao mundo. Prometo que nunca deixarei de baloiçar nas minhas memórias e que vou sempre dar muito valor, às coisas mais simples, mas com o maior significado do mundo.
Beijos,
Lativ


Gosto muito!
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